A LENDA DO GALO DE BARCELOS
(Criação de Olívia Batista e Junior Natureza - entoada no rítmo do côco/embolada)
Era rima, era prima
Era prima, era rima
O galego aperreado
O galo caiu na rima!
Há muitos e muitos anos
diz o povo e cantou
um peregrino galego
a Santiago viajou!
Na saída de Barcelos
lhe armaram uma cilada
na feira foi acusado
de umas pratas ter roubado!
Inocente ele era
a morte foi condenado
apelou para o Juiz
que ele estava enganado!
O galego foi chegando
bem na hora do jantar
e o Juiz se preparando
para o galo devorar!
Seu doutor sou inocente
me desculpe a intromissão
fui aqui nesta cidade
acusado de ladrão!
Se sentindo injustiçado
se dizendo inocente
quanto aquele galo assado
que ainda estava quente!
E o Juiz esfomeado
vendo aquela invasão
empurra o prato pro lado
e resmunga um palavrão!
Não adianta apelar
prá forca vou lhe mandar
o seu caso é muito sério
só um milagre para salvar!
Foi cilada seu doutor
caso de arrepiar
prá provar minha inocência
esse galo vai cantar!
O Juiz cheio de fome
não acreditou no homem
enquanto ele comia
o outro para a forca ia!
A surpresa está por vir
você não vai acreditar
no final dessa história
o galo veio a cantar!
Ocorreu um fato estranho
um tanto inesperado
porta afora foi saindo
com o olhar esbugalhado!
O Juiz ia gritando
que o galo tinha cantado
que o cabra era inocente
e não fosse enforcado!
Com injustiça não se brinca
Nem de noite nem de dia
Se não fosse aquele galo
Na certa ele morria!
O galego aliviado
Seu caminho prosseguiu
Partindo prá Santiago
Nada mais o impediu!
Agradecendo o milagre
Ao seu santo protetor
Que usou aquele galo
Prá ser seu salvador!
Era rima, era prima
Era prima, era rima
O galego aperreado
O galo caiu na rima!

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